Então desculpa, brigado, de nada, tá, tchau!
Bem, não escrevo já faz muito tempo, eu sei. E voltei aqui para dizer que VAI PIORAR. Andei pensando um monte de coisas e não tomei uma decisão de hora pra outra. Nem estou no meio do ataque histérico que me fez fechar "A Abadia" e "Caderno do Hugo". Dessas vezes, admito, eu era muito mais retardado que hoje. Aliás, envelheci muito ultimamente, e como acho que estou num tonel de nogueira, envelhecer não é nada ruim.
De qualquer modo, a pergunta: o que é um blog? Vamos responder à Bakhtin. Um blog tem forma: textos curtos e em linguagem próxima a daqueles que são o público - no caso do meu, informal metido a besta. Domínio social também tem, e no Brasil articula uma classe média num sem fim de propósitos. Internet é caro, conte lá: provedor, energia elétrica, peças de reposição pra computadores. E os propósitos também, não são para quem precisa pensar no feijão de amanhã dia inteiro hoje. Um blog tem que ter função.
The million-dollar quesion: pra que serve "muitoconceito"?
O Pedrinho, da minha turma de Rio Branco, outro dia achou meu blog. Medo. Aí eu perguntei e ele disse que é uma coisa pra minhas coisas pessoais, mas que tem coisas boas no meio. E ele tem razão, apesar de eu achar que ele fi muito educado e omitiu a parte em que se fala "uma bosta". Tá bem, é drama, não é muita bosta, é pouca, é um blog humilde, este. O "muitoconceito" não sabe a que veio. E eu sei menos ainda porque escrevo às vezes para conhecidos e desconhecidos.
Reli os posts, quase todos. Os que me davam vergonha, eu pulei. A pergunta de pesquisa era: "por quê escrei nesse site desde 2005"? A metodologia adotada vem da filosofia da linguagem, predominantemente Mikhail Bakhtin, com algum teórico mais recente que discutiu o blog, não vou denunciar a máfia. Até porque eu não me lembro mais. Os posts se dividiam em algumas categorias, de acordo com a função. Numa cncepção sempre bakhtiniana de função, é favor não confundir com Jakobson. Ao listar, já faço meus comentários teóricos.
1) Posts para reclamar da vida e angariar pideade de desconhecidos: Terrível isso, não? Sem comentários. Ou quase sem. Uma pessoa como eu, que tem dois braços, duas pernas, cabelo na cabeça, raramente adoece, está casado e feliz, já visitou quase todos os países da América Latina e conseguiu um emprego que, todo ano, outros 8.500 tentam conseguir sem sucesso - emprego que paga bem, rende viagem e acesso a coisas inimagináveis e experiências de vida que não se consegue por outros meios, enfim, uma pessoa nas minhas condiçòes, muito embora a dor seja algo relativo, não tem o mínimo direito à queixa. Logo, ponto para a estupidez da existência deste blog.
2) Posts para dar notícias aos amigos: Salvo por raras exeções, os amigos viraram uns preguiçosos. Nem precisam querer ter notícias de mim. Se lhes ocorrea idéia, clicam em algum lugar,procuram no google e voilà. Desculpem-me todos, mas um blog pra isso não é necessário. Escrevam para hugolorenzetti@gmail.com e terão notícias, além de convites para visitar a Nicarágua. Coloquem meu e-mail na lista, mesmo que chegue corrente, eu vou escrever de volta. E pretendo ter um site de fotos para deixar a família e os amigos por dentro do que meus olhos vêem. Dar notícia não é muitoconceito.
3) Para não escrever sobre livros, filmes e etc.: São poucos os posts que discutem arte, aquilo que se supõe que um blog homônimo deste vá fazer. E mesmo assim, a massa de textos é preguiçosa e não chega aos finalmentes nem aprofunda nada. O blog não está cumprindo seu papel. Claro que a solução final poderia ser substituída por um compromisso meu em escrever só sobre arte e afins, mas aí vem a pergunta: eu quero isso? O mundo precisa das opiniões desinterssantes de mais um smartass blogueiro? Não tem milhões fazendo isso?
4) Estupros de teclado: duas ou três tentativas de produção e divulgação literária. Isso seria bom de fazer. mas acredito que os escritores só devem escrever quando têm algo a dizer. Eu não tenho nada pra dizer.Não é cu doce, não quero confete, estou lúcido e desdeprimido, estou ótimo, mudando no mês que vem para a Nicarágua, passeando horrores pela América Latina, casado, com duas gatas, ganahndo bem e feliz da vida. Não é choramingo: eu não tenho nada pra dizer.
Portanto, este blog morreu. Devia se chamar poucoconceito. Estou me sentindo livre. Não preciso bobajar às vezes porque tenho uma senha UOL. Aliás, meu pai pode cancelar uol se quiser, já que eu parasito a conta dele. Não vou apagá-lo, tampouco, porque ele morre de morte morrida, morre porque uma coisa em mim disse: você está perdendo seu tempo, gaste-o inventando estratégias para ajudar criancinhas morrendo de fome, até porque você está balofo.
Mas que fique claro: ESTE blog morreu. Significa que eu vou voltar a blogar, mas não aqui. Eu vou primeiro descobrir para que eu quero um blog, para que serve, o que vou fazer com ele. Estou cheio de déias, nenhuma delas consolidada. Fui convidado a escrever para o "O Debatedouro - Blog dos Editores". Aceitei. Estou quebrando a cabeça para produzir uns três ou quatro textos e ter uns dias pra pensar em outros. Devo estrear depois do carnaval. Isso tem função, e há desafio e dificuldade. Depois vou ver se escrevo um diário de bordo para a Nicarágua. Talvez saia interessante. Mas não sei se quero fazer isso. Vou ver. Depois decido. Vocês saberão. Pode ser que eu venha aqui só pra deixar o link, se ainda tiver senha uol.
Câmbio-desligo.
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 00h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|