Últimos capítulos
É que nem fim de novela. A minha, agora, está sendo escrita por Gilberto Braga. Chama-se "Planalto da Banana" (porque pizza não é nem de longe uma referencia bacana, soa muito revista Veja, eu prefiro uma referência mais tradicional, e acho muito errado o Brasil achar que as Repúblicas da Banana só falam espanhol - nós não somos mais chiques que eles em nada, muito pelo contrário). Muitas emoções e lágrimas. E o tempo voando.
No penúltimo capítulo nossos heróis se casam. Estavam já casados na prática, mas vão a um cartório para assinar o papel. Recebem a visita da artista plástica Carolina Gama, a madrinha, que assina o papel junto com a chefe de um dos heróis, a Almerinda. Momento emocionante, com trilha sonoroa do filme Frida (só na imaginação do nosso herói, não houve mini system no cartório). No mesmo capítulo, o futuro chefe do nosso heróis confirmou que ele vai, nem que todo mundo apanhe e a vaca tussa, pra África no início do ano que vem, e só volta a viver no Brasil em 2018. Foi aí que a novela "Planalto da Banana" começou a acabar.
Como autor de novela gosta de enrolar no capítulo anterior ao do casamento, e só para interromper o fluxo, o nosso herói foi enviado pra Colômbia. E no capítulo posterior ao casamento a República da Banana atinge 0,800 de IDH, o que só pode ser uma piada. Nosso herói luta para deixar a programação do Centro de Estudos Brasileiros pronta, mas seu compromisso com o blog atrapalha seus objetivos... Enquanto isso, o outro herói agora dirige o carro da amiga que está operada (na verdade essa história de operação é balela, na verdade a atriz está com candidíase e foi afastada temporariamente do elenco). Ele quase é vítima da loucura que é o trânsito em Bananópolis, a cidade onde todas as pessoas são autoridades. A amiga operada infarta ao saber que seu carro está sendo pilotado por um recém-motorista, por isso ela não vai mais voltar às telas antes do final de "Planalto da Banana". Chove em Bananópolis, aliás, e a ex-orientadora dos dois heróis esteve de visita numa noite chuvosa. Algumas cenas do núcleo Guel Arraes encerram o capítulo.
Cenas dos próximos capítulos: o nosso herói vai pra Campinas numa passagem relâmpago pra dar alguma seriedade pro seu trabalho de mestrado. Regressando de Campinas para Bananópolis, nosso herói tem que entregar vários trabalhos e esperar que a data de embarque para Guiné Bissau seja decretada. Conseguirá o nosso herói não sucumbir aos trabalhos insuportáveis do Instituto Auschwitz de Diplomacia?
A cena final está escrita. Vai ser que nem Casablanca apud Roque Santeiro. Imaginem só: um avião balança-mas-não-cai com destino a Bissau via Praia, Cabo Verde num aeroporto em Fortaleza. As times goes by como trilha sonora (mais uma vez, só na cabeça do nosso herói). Pra zoar, cantada pela Carly Simon. Os heróis e duas aiolas, cada uma com uma gata. E na telinha, com letra pseudocursiva, escreve-se sozinha a palavra "Fim".
A próxima novela vai ser regionalista, com sotaque esquisito. Talvez se chame "Cajual de paixões", mas o Benedito Ruy Barbosa não quer liberar informação...
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 16h27
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