Culture shock (versão diet)
Primeiro, eu não sabia se era pra fazer reverência, se é que esse negócio que a gente vê os japoneses fazerem na TV chama reverência mesmo. Até porque o cabra era da China, não do Japão. A Popular, não a outra. Enquanto eu pensava nisso, a moça que abriu a porta perguntou se eu queria água, e eu disse que sim, um pouco com medo de depois colocar o copo em cima de uma tapeçaria milenar. Felizmente, as mesas de centro eram de tampo de vidro (o que não mancha, e se mancha dá pra limpar), e estavam nuas. Nisso ela pergunta se eu sei quem ela é. Achei esquisita a pergunta e imaginei que não se tratava de costume da China, porque ela era uma contratada local brasileira. Mas, muito espertinho, eu disse: você é Fulanildes (escondo o nome da moça, já que vocês virasm o rolo que deu por causa do Miss DF). Claro, Fulanildes era o nome única pessoa que eu não precisava pronunciar cantando. E no fim, achei que era só simpatia e fiquei feliz em ver aquele monte de vasos coloridos por toda parte.
Aí que eu nunca sei onde sentar, e todos os sofás tinham rendas. Sentei sobre as rendas, e como não tocou nenhum alarme, nem veio nenhuma chinesa à "Kung-fu-são", acho que não cometi nenhum crime. E bebi uma quantidade enorme de água antes de chegar à conclusão de que copo de plástico sobre vidro não dá mancha indelével.
Mas aí veio o primeiro secretário chinês. E eu sem saber se fazia reverência. O bom foi que ele estendeu logo a mão e facilitou todo o choque cultural. E aí disse tudo com uma objetividade espantosa, em excelente português. Mas espantosamente objetivo. Diplomata brasileiro fala do porco que a tia da vó do conhecido do primo do compadre de não-sei-quem comprou e da última obra de sei lá... Mozart, tudo antes de ir ao assunto.
Saí de lá com passagens e inscrição pro curso de 15 dias para Diplomatas Latino-Americanos de Alto Nível em Pequim. E eu nem sabia que eu era de Alto Nível, ora vejam só...
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 17h29
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