Amanha a gente parte para a Guatemala, para El Remate ou Flores, os lugares onde as pessoas ficam para poder visitar Tikal, que sera nossa quarta ruina. As outras duas depois da primeira foram hoje: Xunantunich e Cahal Pech. Xunantunich tem um templo alto (nao o mais alto do mundo maia, mas enfim), e de la da pra ver a Guatemala. O que nao eh exatamente grande coisa, porque o vizinho esta a mais ou menos 20 km dali. A vista eh linda, bem como o templo eh bonito, mas Cahal Pech eh mais interessante. Esse outro sitio nao eh monumental nem nada disso, mas como em Las Sepulturas, em Honduras, a graca esta na relevancia antropologica do lugar, que era moradia, e nao praca publica. Ali havia as casas, as quadras de pelota, um monte de quartos e um edificio de tres andares, de que tirei uma foto que, modestamente, ficou muito boa.
Sobre as fotos, alias, eu aprendi a licao do quanto nao eh muito esperto passa-las para CD. Sai caro. Deve-se comprar outro chip. E eh um inferno passa-las pra computador, de modo que nada de foto no blog durante a viagem, desculpa ai. Quem quiser ve-las esta convidado pra ir pra Brasilia, onde um livro de viagem ha de ser produzido. Alias, umas receitas centroamericanas serao feitas na ocasiao do lancamento do livro. Sem fotos e sem acentos, uma coisa que me irrita muito. Aqui em Belize ha menos acentos que no resto, e ai os textos ficam assim desse jeito.
O resto de Belize foi assim: a gente saiu de Honduras de lancha (uma dessas minusculas com motor) e veio pulando ate Punta Gorda, no sul. La, o barco parou num lugar inacreditavel: no meio de um porto, do lado de um navio enferrujado e de uma placa "Trespass and you die", ou coisa parecida. Havia dois americanos tontos que a gente salvou (nao sei por que) de nao conseguir chegar a Belize, por motivos burocraticos. E nem pra ter recompensa pela bondade! O homem da migration chegou la e nao quis dar o carimbo pra gente porque a gente eh sulamericano!!! Bom, ai o que aconteceu foi que a gente teve de seguir pro outro porto, Placencia, onde a gente queria realmente ter descido, e depois pra Dangriga, uma cidade que no fim era bonita, e onde a gente conseguiu um quarto virado pro mar pra dormir embalado pelas ondas. La a menina da migration ficou roxa de vergonha pelo colega de trabalho, pediu desculpas e tocou a gente rapidinho da delegacia porque estavam chegando uns montes de migrantes ilegais. Uma cena triste demais pra ser postada aqui.
Na mesma noite, tudo mais calmo, a gente comeu um dos melhores pratos da viagem: uns burritos feitos por um cara que tinha um quiosque de madeira na esquina perto do hotel. E depois de dormir com o som do mar, a gente saiu cedo (ou nao, a gente enrolou, na verdade) pra Belize City. Belize City eh muito esquisita. Parece essas coisas que a gente ve em filme de Brooklyn, com "yo da broda", chineses e indianos. E um oleo que parecia de carro pra fritar o frango que me fez perder o dia de ontem no banheiro do hotel aqui em San Ignacio. Depois entendi, conversando com uma livreira, que a cara de Brooklyn de Belize eh meio efeito de americanizacao. E que os gringos tem algum plano secreto pra Belize, porque a embaixada deles tem quatro andares para o subsolo, em Belmopan.
Ali em Belize City a gente enviou os livros que ja tinha comprado pra casa, viu os dois museus, sendo que um deles nao era museu e nao tinha nada pra se ver, e depois encontrou uma holandesa que tinha um ecolodge perto de Bemopan, e a gente resolveu ir pra la.
Isso foi mais um capitulo eletrizante. Uma parte da energia eletrica da viagem deriva do fato que a comida de la era cozida a peido. E que os nossos cocos e xixis geravam biogas no equipamento deles, e o biogas abastecia a cozinha. Esquisito. Os cocos faziam ahuhuiuiui paft no escuro e nao tinha descarga. Mas tirando isso e uns insetos carniceiros, foi otimo ir pra la, porque tinha essa professora de ecologia que era doidona e estava com seus alunos da Univ de Ohio, e no dia seguinte ao da chegada, a gente foi descer de canoa o rio Sibun. Uma coisa de doido. Mais da metade das canoas virou, mas a minha e a do Carlos (ele com a professora doida que deve um dia desses aparecer em casa), os iniciantes, nao viraram! E olha que nao faltou chance. E a gente viu passarinho, e iguana e tudo isso, no que eles la chamam de aula.
De la, a gente veio pra San Ignacio. No primeiro dia estava tudo ok, a gente se planejou pra ver as ruinas, mas eu quase virei do avesso no dia seguinte,e a gente ficou enfiado no hotel, so saindo pra almocar bem rapido e pra checar email.
Ficou faltando contar do resto de Honduras e da Nicaragua, mas fica pra depois.