No dia seguinte e no outro e no outro acordamos tarde. Na sexta foi o dia de ir à Torre de TV, mas acabei me lembrando do Santuário Dom Bosco, onde a gente fica azul por causa dos vitrais. O lugar deixa a catedral no chinelo. O legal é brincar com a câmera. Lamento muito em certo sentido a compra da máquina, porque entrei para a massa produtora de fotos "interessantes", "com um quê artístico", etc. Tenho um coleguinha de trabalho/escolinha, o Rafael que nasceu em Niterói e é gente boa, com quem tracei a cronologia da decadência da fotografia: primeiro veio a cor, depois a câmera digital, tudo pra acabar com a linguagem fotográfica. Mas acabei aderindo, fazer o quê, e criei um fotoblog pra poluir o penicão virtual com funky angles of the same old shit. As fotos estão no micro lá de casa (agora estou no Rio Branco), e só estou com preguiça de fazer o upload.
Bom, e aí a gente andou e foi pra Torre de TV pra ver como Brasília tem a forma de um avião, e ver aquelas coisas da TV mesmo, tipo o Congresso. Aí teve o pastel fatal da barraca do restaurante Pacífico. Infelizmente, no sábado, o pastel estava possuído pelo demônio e deu uma azia terrível na Carol e em mim. O Carlos, sorte dele, é um avestruz. Antes da azia atacar, houve tempo de passear pela feira, que é cheia de coisas horrorosas feitas com material bom. E apesar da esquisitice da produção, consegui achar umas caixinhas de machetaria que renderam um presentinho pra Carol. Houve tempo também pra gente achar que o Memorial JK era pertinho, o que é uma grande mentira, uma peça aplicada pela perspectiva.
No caminho tinha a feira da Lua dentro do Centro de Convençães Ulisses Guimarães (erro ortográfico proposital, portanto não-erro). É uma feira basicamente de roupa de mulher , patchwork e sabonete, mas bem bonitinha. Tinha também a Galeria Fayga Ostrower e um não-sei-quê Cássia Eller, que nem estava aberto. Aliás, andei pensando em morrer de overdose pra ver se ganho um não-sei-que Hugo Lorenzetti Neto.
Depois de passar pela pracinha na frente do Palácio Buritis, sede do governo do Detrito Federal (que aliás é, na minha humilde, a praça mais bonita do DF), chegamos ao Memorial JotaKá, que é MUITO bacana: tem as moças e os moços vestidos de anos 50, uma decoração e um som ambiente de puro bom gosto e a Tumba do Terror. Na verdade, é só o sarcófago do JK, mas fica numa sala redonda de mármore preto com luz filtrada por um vitral vermelho – e como estava nublado, estava meio escura a tal da câmara. Além de quê, nada diz "Aqui Jazz" ou coisa parecida. Então foi assim: eu entrei e meus olhos se acostumam rápido com o escuro (e passo o dia vendo as coisas embaçadas e não é miopia, é a desvantagem), logo vi que havia um trapézio-caixão no meio da sala. Mas a Carol e o Carlos não, e eles entraram olhando pro vitral no teto. Aí ela perguntou: quequié aqui? Eu respondi com naturalidade que era onde o JK estava enterrado. Ela deu um berro e saiu correndo, e eu fiquei lá dentro rindo, pertinho da placa que diz "Silêncio e Respeito". Claro que a placa era imprecisa, devia dizer "Silêncio e Respeito. O Defunto está Dormindo", assim as pessoas saberiam o que era ali dentro antes de entrar, coitadas!
Saídos de lá, fomos encher o bucho na Praliné, que tem um desses chás da tarde no estilo coma até explodir. Aí a gente queria ir dormir, mas o Klaus e o Sérgio convenceram a gente a ir conversar e jogar baralho na casa deles. O jogo é um capítulo á parte, outro dia explico as regras. O legal foi a conversa, também irreproduzível pelos dedos, como a maioria das conversas legais e sem frases de efeito.
O dia seguinte foi em casa, mofando. Ficamos lá, eu cozinhei, a gente viu um filme dirigido pelo Lean de uns fantasmas de mulher e coisas assim e viu também A Marcha dos Pingüins, um filme pra que eu não dava nada, até porque achava que era uma coisa meio vídeo de bicho que passava na TV Cultura quando eu era pequeno e que eu detestava. Mas é legal o tal do filme, bonito pacas.
E aí veio o derradeiro: acordamos tarde, eu matei aula, fomos ao décimo andar do anexo IV da Câmara pra almoçar olhando a Praça dos Três Poderes (Lindinha, Docinho e Florzinha) e eu fui pegar a aula de Economia enquanto ela pegava o avião...
Foi um feriado tão inspirador que na aula de Economia, enquanto eu dormia de olho aberto, tive a idéia pro trabalho de fim de semestre: o pensamento econômico de George Bernard Shaw. Agora eu vou fazer um trabalho de literatura em vez de Economia, vou me divertir com meu grupo e tirar nota boa.