Andei pensando (por isso o cheiro)
I. Que preciso terminar logo a monografia sobre Leonilson e encerrar logo a matéria do mestrado, mas alguma coisa me impede. Essas leituras ultimamente estão me fazendo mal. Li “As Is”, de Hoffman (não o Hoffman Hoffman, do século XIX, outro, um dos anos 80). Se vocês lerem, vão achar que é uma peça boa, no más. Mas eu não sei o que deu em mim que fiquei com febre termometrada em 38,5oC, juro. E foi por causa da leitura, tenho certeza. A peça parece bastante interessante, sua montagem sem intervalo e sem saídas de palco deve ter deixado tudo muito intenso. Imagino que se eu fosse parte da platéia em 1986, bem no centro da paranóia, teria demaiado e morrido na seqüência em plena Broadway. Bom, morreria em glória, pelo menos, muito melhor que bater a cabeça na pia do banheiro porque escorregou no papel higiênico sujo.
E aí, depois dela teve mais leitura sobre AIDS, mais leitura obre gente morrendo. Estou me sentindo mal, como se todas as fibras (eu me imagino feito de fibras, que nem cachecol de tear) estivessem arrebentando. Ainda houve uma leitura um pouco melhor, mais alentadora, de Jean-Claude Bernardet, meu ex-professor da ECA. Ele resolveu não morrer. Muito bonito isso. Toda essa leitura, aliás, é porque o Leonilson teve AIDS, e como a obra dele é extremamente autobiográfica e confessional, é preciso fazer um mergulho no desenvolvimento da AIDS no Brasil para conhecer aquilo que o cercou. Como eu sou bakhtiniano isso é importante: pra mim e pra muita gente o escritor é ladrão de palavras e o artista plástico é ladrão de formas. Mas deixa a questão teórica pra lá. O pior é que o melhor livro, o “Risco de Vida”, de Alberto Guzik, eu não consegui. Vou ter que escrever de qualquer jeito. E logo, pra eu evitar minha própria morte por histeria hipocondríaca.
Outro efeito colateral disso tudo é que não acho mais os anos 80 tudo isso. De um lado a AIDS matando todo mundo. De outro, a iminência do fim do mundo via guerra nuclear pelas mãos de Reagan. E ainda as roupas ridículas que nossas mães usavam - registradas impiedosamente pelas fotografias. E pior: gente nascida depois da queda do muro de Berlim pagando de New Romantics hoje em dia. Irritante. Passei os anos 90 inteiros querendo que os 80voltassem enquanto todo mundo os achava péssimos, e agora esses adolescentes tomaram conta do meu imaginário.
II. Preenchendo ficha num site de penfriends, tive de escolher o fuso horário do Brasil. Isso me fez lembrar da minha primeira paixão por um país que não o meu: a Itália. A paixão infantil era tanta que eu me recusava a crer que a Itália fica no hemisfério oriental. Besta, né? Mas eu tinha só 8 anos, então podia. Hoje a paixão é pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Globalizei-me, não dá pra ter paixão mais por um país só. Minha paixão dentro do Brasil sempre foi, é e será Minas Gerais, só pra constar.
III. E já que entrei no assunto da fenomenologia da percepção infantil, preciso dizer que pensava no Zé Colméia quando ouvia a música Sítio do Pica-Pau Amarelo do Gilberto Gil. Acho que é porque escutava “O sol nasce em Jetombelo”, palavra inventada pelo meu cérebro, eterno traidor que deseja me ver morto, que deve ser uma mistura de Yellowstone pronunciado por um hispanoablante com Guarda Belo. Daí o Zé Colméia. Só uma teoria - e eu nem andei pensando nisso, foi só uma coisa que me ocorreu agora.
IV. Acredito na superioridade racial daquelas pessoas que, como eu (claro, toda teoria racista inclui seu formulador no grupo eugênico), preferem o silêncio quando precisam fazer alguma coisa. Em outras palavras, quem diz que não faz nada sem música deveria ser colocado em campos de concentração onde só tocasse pagode de quinta categoria. Essas pessoas são as culpadas pela invenção e disseminação do maldito som ambiente. Sabe que eu já cheguei a desistir de entrar numa loja só porque estava tocando música? E colocar som ambiente em livraria, a menos que seja um cool jazz bem baixinho, deveria ser crime hediondo.
V. Pensei nas bebidas alcoólicas também. Eu vou ter de sentir muito sobre a paixão nacional, mas cerveja é uma bebida indigna. Ela me lembra esses moleques que estudam aqui perto de casa, na UNIP e que abrem as portas das suas picapes, de onde sai algum som que eles chamam de música enquanto eles ficam falando “shôr goma da véia churca peita barca deu ar” e só não são pançudos porque em vez de assistir aula vão à academia. Lembra também os moleques da Unicamp, os pseudopobres, porém muito ricos que ficam naquelas festas malas da universidade, cheia de gente em pé e nada acontecendo. Cerveja é péssimo. Deixa as pessoas fedidas e com bafo de chão de banheiro de rodoviária.
Batida de qualquer coisa feita com qualquer coisa é muito pior que cerveja. Quando eu for Ministro do Bom Gosto e da Decência vou proibi-las. É bebida de estudante de Direito.
De outro lado, o vinho só deveria ser permitido se consumido em absoluto silêncio. Não tem nada pior do que você lá tentando beber e vem uma pessoa e começa a dar palestra de enologia. Os enochatos são terríveis. “Está na temperatura perfeita”, ou “mais meio grau e estará perfeito”, ou “tem um buquê de madeira guinéu cortada por escravas virgens”. Beba com um barulho desses. E eles se vêem classudos, mas não passam de gente cafona feito os novos ricos ou de... ai, sei lá, deu raiva. QUando eu for Ministro daquilo lá, vou abrir temporada de caça aos enochatos.
Uísque é perfeito. Há lá a tabela que diz que um é melhor que o outro, você escolhe a sua marca favorita, abre sem firula, põe gelo ou não - se quiser ser extravagante põe gelo de água de coco ou club soda e bebe.O fedor é muito menor que o da cerveja e cada gole vem sem a necessidade de uma palestra.
VI. Preciso ser simpático e responder aos comentários. Prometo solenemente.
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 20h30
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Sucez, France!!!
Datemi un martello Che cosa ne vuoi fare Lo voglio dar in testa A chi non mi va A quella smorfiosa Con gli occhi dippinti Che tutti quanti fa ballare Lasciandomi a guardare Che rabbia mi fa Che rabia mi fa
Datemi un martello Che cosa ne vuoi fare Lo voglio dar in testa A chi non mi va A tutti le coppie Che stano apiccicati Che vogliono le luce spente E le canzone lente Che noia mi da
E datemi un martello Che cosa ne vuoi fare Rompere il telefono Lo opereró perchè si Tra pocchi minutti Mi chiamerà la mamma Il babbo esta per tornare A casa devo andare Che voglia ne ho no no no
Um colpo sulla testa A chi non è dei nostri Così lá nostra festa Piu bella sara Saremmo noi soli E saremmo tutti amici Faremo insiemo i nostri balli E surf e hully gully Che forza sarà
(Rita Pavone, Datemi un martelo)
A selecinha francesa só está entre os campeões porque ganhou uma copa roubada, quase não foi classificada para as oitavas, na campanha mais medíocre entre aqueles que foram para elas em 2006, passou por Portugal roubando um pênalti e quase rouba o título da Itália com outro. Com pênalti até eu ganho copa. Eu e a Letícia contra a rapa ganharíamos assim. Time medíocre, torcidinha malcriada e esse Zizou nem é do tamanho que Galvão Bueno quer que o achemos. CHUPOU. Avante Azzurra!!! Finalmente alguém parou esses ladrões. Voleurs! (eu berrava no jogo Portugal x França que letícia e eu vimos na Casa de Portugal, ao sabor de caldo verde de graça).
Na próxima Copa eles tem que ser eliminados na primeira etapa. Melhor, eles deveriam NEM SE CLASSIFICAR pra próxima Copa, já que nem eram pra ter vindo nessa. LUGAR DE FRANCÊS É NA COZINHA!!!
PS: Além do mais, Ios jogadores da Itália, ó, muito mais bonitos (quem quiser o nome e o telefone deles, pede pra Letícia, minha companheira de torcida):

Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 01h30
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