Mau gosto pessoal. Não discutam.
Eu tenho certeza de que só eu gosto das coisas abaixo. E não tenho vergonha de assumir. Bem, tenho, só de vez em quando:
1. A música "Pata Pata", da Miriam Makeba
2. O musical "Xanadu", com Olivia Newton-John.
3. Os livros de José Mauro de Vasconcellos.
4. A música "Purpurina", de Ivan Lins, interpretada por Lucinha Lins.
5. A Lucinha Lins.
6. Geléia de mocotó - só se vier naquele copo baixo com uns riscos gravados no vidro.
7. As almôndegas do bandejão.
8. Aquele relógio de gato que faz miau nas horas cheias.
9. Saia de tule (tudo bem, fica mais fácil gostar disso quando não se tem que vestir uma coisa dessa nem em sonho).
10. O "suco" de caju do bandejão.
11. Casa com a santa na parede com a luz vermelha atrás (acho meio macabro, mas eu gosto).
12. Drops de anis.
Tem mais. Mas eu fiquei com vergonha...
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 03h07
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piagetiana
A Letícia disse que uma vez estava pensando que, agora que estou estudando para A Prova Mais Difícil do Mundo, deveria ser interessante ser meu aluno de redação. Eu também acho. Se o material ajudar, eu vou poder exercitar isso com cerca de vinte jovens de Valinhos, que serão meus alunos a partir do dia 13 de março. Adoro turmas pequenas. No fundo no fundo, acho que o ensino deveria ser assim: de um para um. Igual essas coisas de mestre e discípulo de religião oriental cheia de sinos e símbolos, que nem no filme do Kim-Ki Duk a que assisti hoje de manhã. E acho que os mestres deviam ter o direito de, de vez em quando, dar umas pauladas nos discípulos pra eles largarem mão de ser bestas. Eu não ligaria se tivesse de apanhar de vez em quando da Inês ou da Fátima. Aliás, até imagino elas dizendo “publique seu artigo” e léi léi léi nas minhas costas com uma vara de bambu.
Seja como for, estou preparando aula e sonhando com o início delas. Redescobri que adoro dar aula, o problema é quando, quantas, de quê e para quem. Quando é novidade, qualquer uma serve, mas vai passando o tempo e eu vou enjoando e querendo sair correndo. Eu devia ser professor de universidade daqueles uns que só dão eletiva e ainda por cima têm fama de foder os alunos na avaliação, sabe? E eu daria aulas nas sextas à noite. Assim apareceriam meia dúzia, se tanto, e todo mundo seria legal e inteligente e tiraria dez.
Nesse semestre, essa turma de vinte alunos de Valinhos vai estudar Gramática, Redação, Literatura e Inglês comigo. Seis aulas por semana ou 20% da grade. Quase uma tia da escola. Vai ser divertido, e eles serão dos poucos que terão o privilégio de me ver dando aula de Gramática e respondendo às dúvidas assim: “como assim não entendeu?!” Mas no fim dá certo. Eles vão descobrir que mesmo esquecendo todas as regras dá pra passar no vestibular, coisa de que sou prova viva.
Ainda vou ter duas turmas em Hortolândia, meu trabalho voluntário e com muito prazer desse ano. E sou eu quem vai preparar TUDO do curso de Literatura. TUDO. Zero apostila. E sabe como vai ser? Ao contrário. Vou começar de hoje e ir chegando pra trás. Meu sonho de consumo era fazer isso. Na primeira aula vamos ler o manifesto Literatura Urgente, que é bem interessante, tirando o fato de que os seus autores pensem que pra literatura ir pra frente no Brasil é necessário fomentar a produção. Eu acho que é sim, mas pra quê produzir se não há leitores? Estou escrevendo um artigo acadêmico que não fica pronto nunca (e a Inês lá, com o bastão dela pra me arrebentar as costas), mas que trata disso. É preciso apoiar a produção tendo em mente que um dia ela não vai precisar mais de apoio. Para isso, é preciso formar leitores, fazer com que os que saem da escola sejam consumidores de literatura. E sim, há um mercado, ele venceu e não é da responsabilidade dos escritores, membros dos mais altos níveis da superestrutura, provocar oscilações na estrutura que mal conhecem. Felizmente a Era da Arte Conceitual acabou, e arte pela arte, que vai sozinha e independente é coisa de mauricinho, filho de rico, para quem é muito fácil ser hippie e se dizer desapegado das coisas mundanas do alto de suas Cherokees.
Ainda fico com as aulas de inglês de curso de inglês. Fazer o quê, né? Quem não come não faz revolução, hehehehe...
Escrito por Hugo Lorenzetti Neto às 14h36
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