Momento ridículo
Fico sensível quando vou dormir assim tão tarde. A verdade nessas horas é que não penso em nada dessas coisas para que precisei me escolarizar antes de ficar sensível de modo aceitável, publicável, divulgável e curriculável. Aliás, tudo isso fica chato e eu sinto vontade de dizer que odeio as musiquinhas de Mozart porque não entendo nada, e porque acho criança-prodígio a coisa mais chata desse mundo, e que devia ser chata desde o século dele. Aí eu fico assim uma coisa misturada de musical dos anos oitenta, música cafona dos setenta de uma das bandas-casais feito ABBA e Carpenters e musiquinha repetitiva de caixinha de música com cisne de plástico que dança sobre um espelho. E escuto Ne me quitte pas e Xanadu na seqüência. E penso no quanto há em comum entre mim e Muriel, a do casamento dela mesma. Ou de Mariel, porque Mariel não é uma gorda estúpida e feia, mas sim alguém que vai se casar com um nadador sul-africano numa igreja chique ao som de I do I do I do I do I do I do I do etc... E fico esse grito horripilantemente cafona e desafinado com voz de tenor Cauby Peixoto (se subiu ninguém sabe ninguém viu). E me esqueço de propósito que afora muito chata a vida não anda assim tão ruim... E escrevo textos absolutamente idiotas como esse. E não tenho a menor vergonha de publicá-lo (depois que eu dormir e acordar mais sóbrio, tento me lembrar de apagar essa besteira...).
Escrito por Hugo Lorenzetti às 01h57
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