Nota desculpatória: estou fazendo essas coisas importantes do tipo projeto de mestrado & dar aulas & planos de curso & coordenação & resumos da lista da UFSC &tc &tc &tc, daí eu ter demorado tanto para postar outra coisa. Pros três quatro cinco dezessete que visitam esse blog regularmente, desculpem-me.
O projeto
Bom, agora um pouco daquele papo “a minha pesquisa...” (Vocês = caras de sono e/ou desespero... vixe, Rosa, cê já pensou como que é uma cara de sono misturado com desespero?). A minha pesquisa é mais ou menos assim: Young British Artists (daqui por diante YBA) foi um rótulo que surgiu recentemente na crítica de arte britânica para denominar um grupo extremamente heterogêneo de artistas plásticos, que têm em comum pertencerem à geração sucessora de Lucian Freud, David Hockney & friends, ou seja, são nascidos nos anos 60. Ou pelo menos é o que parece. A proposta é encontrar critérios, e se eles não existirem não tem problema, já que a intenção é ver como se articulam rótulos na arte contemporânea. Pretendo ver como essa etiqueta YBA se formou, quem a criou e sob que circunstâncias, e como os artistas se relacionam com ela. Atrás disso, está um estudo de como a própria crítica de arte se insere no universo das práticas de artes plásticas (pra quem conhece Bakhtin é exatamente o tal dialogismo que conta aqui). Depois, pretendo falar superficialmente da Geração 80 no Brasil (que ganhou esse rótulo em momentos como a exposição E aí, geração 80?). E se sobrar tempo, quero escrever sobre os artistas da minha idade. E aí eu viro um crítico famoso e rico.
Vamos falar de sexo
Kinsey é um filme ótimo. Tá, há exageros, momentos acafonados e muitas vezes parece que a história toda não vai muito além da pregação para convertido, o que pode ser verdade, se apenas for considerado o público brasileiro. Mas é bom passar umas revisões no sentido cursinho-pré-vestibular da palavra, porque as pessoas se esquecem de que é muito feio se meter na vida dos outros, em especial a sexual, quando os outros não estão fazendo nada fora dos limites do consenso entre as partes envolvidas. Não é um filme sobre putaria como já ouvi alguns libertinos de cinco dedos falando. Kinsey (Liam Neeson) é bem claro: cada um faz o que quer e o que gosta contanto que não machuque (ui!) os outros. Atenção para o início do filme, que foi feito para a gente fazer “aaaaah, então é isso...” e mostrar que de fato o que você foi ver foi cinema, para a lindíssima cena pai x filho, para o beijo homossexual oh-ele-beijou-o-Liam-Neeson-na-boca, e para alguns recursos de montagem. A cena da mulher que agradece quase no final é levemente cafona, mas eu sou gente e chorei. E quanto ao sexo, o tema do filme, acho que seria melhor se as pessoas o fizessem em vez de se preocuparem tanto com falar sobre ele.
Escrito por Hugo Lorenzetti às 10h28
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