Bom, um dos quadros que pintei em 1946, aquele que parece um açougue, surgiu diante de mim por acaso. Eu estava tentando fazer um pássaro pousando num campo. Pode ser que ele de algum modo tenha uma relação com as três formas que foram feitas antes, mas de repente as linhas que eu tinha desenhado sugeriram uma coisa muito diferente, e desta sugestão nasceu o quadro. Não tinha intenção de pintá-lo; nunca pensei nele daquela maneira. Foi como se uma coisa, aparecida acidentalmente, tivesse ficado debaixo de outra que também veio por acaso logo depois.
(...)
Vontade é uma palavra errada, porque em última análise você pode chamar isso de desespero. A fonte do desespero é a absoluta consciência de saber que é impossível realizar essas coisas; dessa maneira eu posso, por assim dizer, fazer qualquer coisa. E, a partir dessa qualquer coisa a gente vê o que acontece.
Texto: Sylvester, David. Entrevistas com Francis Bacon: a brutalidade dos fatos. Imagem: Painting, 1946, Óleo sobre têmpera sobre tela, 198X132 cm. MoMA, NY.
Escrito por Hugo Lorenzetti às 00h58
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Já ganhou: melhor refrão de 2005 (tá, foi feito em 2004)
Eu sei que, por exemplo, que Thelonius Monk é o máximo, muito melhor que Madonna ou, avacalhando menos, melhor que Dire Straits. Fiz faculdade, e é isso o que a gente aprende nela: a gente aprende que pop é uma porcaria e que nós devemos purgar nossos ouvidos ouvindo apenas música erudita e só um pouquinho de jazz (porque senão já viu, de Ella Fitzgerald é possível ficar alegre demais e descer ao nível de Norah Jones ou Joss Stone). Eu sou desobediente. Minha estante de cds é 95% pop, se contar rock e MPB como pop (e falo da MPB básica, Chico e demais sons para universitários) também para que se use uma noção ampla de popular. E se MPB não contar, essa porcentagem nem cai tanto assim. Por isso acabo não entabulando muita conversa sobre música um pouco por causa disso: sou ignorante.
Considerando então que Chet Baker é bom e Blur é uma bosta (que eu amo), considerando também que quando eu tomo banho cantarolo Blur e não uma ária mozartiana, já que eu não sou doido de desafiar o estatuto do meu condomínio e tomar multa, enfim, considerando isso tudo, anuncio o vencedor do top 5 refrões de 2005: The dark of the matinee, Franz Ferdinand. É pop? É. É cinicamente grudento de modo que muitas cópias do CD sejam vendidas única e exclusivamente por causa dessa música, cujo clip até passou no Fantástico? É. É feito para um público pelo menos 10 anos mais novo que o caçula entre os cantores da banda? Certamente. Vejam bem, é pop com tudo o que pop implica, mas no meio de tanta porcaria sem cor, apática, com cara de primeira faixa de cd de trilha sonora de novela (penso exatamente numa que fala de não sei quê over my shoulder que tive de ouvir por motivos xyz que é melhor pôr de lado), uma música como The dark of the matinee tapando aquelas dos sons ambientes que não sou mais obrigado a ouvir graças ao walkman é um alívio, não é?
Olha, mamãe, sem Google!:
Find me and follow me through corridors, refectories and files you must follow, leave this academic factory You’ll find me in the matinee the dark of the matinee it’s better in the matinee the dark of the matinee is mine yes, it’s mine
PS: preciso de a) link de todo mundo e b) alguém que queira fazer de graça um template para esse blog.
Escrito por Hugo Lorenzetti às 01h38
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